quinta-feira, 3 de julho de 2008

Trechos que merecem atenção

Eis alguns trechos da ótima entrevista de André Miranda com a escritora portuguesa Inês Pedrosa no Globo de 2 de julho:

Na Flip, você vai participar de uma mesa chamada “Sexo, mentiras e videotape”. É claro que os nomes dessas mesas eventualmente são brincadeiras, mas, seguindo esse espírito, o que haveria de sexo, mentiras e videotape em sua literatura?

INÊS: Videotape há muito pouco — eu gosto mais de cinema a sério, sala escura, o esplendor do mistério das imagens. Sexo existe em todo o ato criativo e, por isso, nos meus livros também — aliás, cada vez mais. Mentira é a própria ficção: uma mutante mentira que faz com que o brilho fixo da verdade se torne perceptível.


E você já está trabalhando no seu próximo livro? Poderia nos dizer sobre o que ele vai tratar?

INÊS: Vagamente. Sei que vai passar pelo Brasil, de novo, e muito naturalmente, porque eu sinto-me, se me dão licença, pelo menos tão brasileira como portuguesa. Fui criada pelo Chico, pela Bethânia e pelo Caetano, pela Clarice e pelo Drummond e pelo Guimarães Rosa, amo a poesia do Eucanaã Ferraz, a poesia da Maria Lúcia Dal Farra e a poesia e os ensaios do Antonio Cicero, que escreve aquilo que eu penso antes que eu tivesse tido capacidade sequer de pensar em pensá-lo. Quanto à trama, não posso adiantar ainda muito — não só para não a esgotar, como também porque não é muito importante. Os enredos são pretextos, melodias que nos conduzem à sinfonia do tema. Só sei que o meu próximo livro vai tratar do intratável de sempre: as declinações do amor (do riso às lágrimas, do poder à perdição) e as antevisões da morte. Não vejo que haja outro assunto. Para mim, pelo menos, não há.

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